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Crônicas de Estancane II: a máquina de defesa, a honra e a redenção

Crônicas de Estancane II: a máquina de defesa, a honra e a redenção

Na última crônica narrei como foram meus primeiros dias jogando Goodgame Empire, que foram também os primeiros dias da minha aliança, em outubro de 2011. Agora dou continuidade.

Agora estávamos em novembro, pouco mais de um mês depois do início de tudo. Com o fim da guerra com a Leões e a dissolução dessa aliança, a Mucheftlan passou a ser a melhor no seu pequeno pedaço do mapa, na sua região. Todos os bons jogadores que apareciam perto passaram a ser convidados, e a maioria aceitava entrar no grupo.

Porém, olhando para o servidor (PT1) como um todo, éramos apenas um grão de areia na praia. No ranking geral, não estávamos nem entre as 40 melhores. Vale lembrar que o ranking de alianças, nessa época, era apenas de honra (média dos jogadores). Então tudo o que contava eram as batalhas, ataques e defesas. Não havia eventos, não havia “pontos de poder”, não havia pontos de conquista. Os jogadores e grupos bem classificados eram aqueles que atacavam bem e defendiam bem, que conseguiam assim manter a honra alta.

Quando deixamos de ter uma aliança rival na região, começamos a crescer de forma tranquila, e todos conseguíamos aumentar a honra com facilidade.

Foi aí que, aos poucos, começamos a ter problemas com gente de outro nível.

Entre as alianças pequenas e emergentes (ou seja, o “povão”), a gente brincava que o servidor PT1 era dividido em três “estratos”: o estrato dos mais fortes do jogo era composto de 3 alianças, que estavam muito à frente de qualquer outra: a Playground, a Irmandade e a Força Brasil. A Playground tinha maior honra, mas a Força Brasil tinha mais gente: eram 4 alianças (FB, FB2, FB3 e FB4). Para nosso azar, essas três famílias tinham pacto entre si, não se atacavam. Em vez disso, atacavam todo o restante do servidor para manter sua honra alta. Era um sistema de oligopólio difícil de ser quebrado.

O segundo estrato era composto de uma única aliança: a PODER. Ela não tinha força comparável a nenhuma das 3 do oligopólio, mas estava muito distante de qualquer outra pequena ou emergente. O fundador JOJUA reuniu bons jogadores de todos os cantos do mapa para tentar competir com o oligopólio, e sua aliança foi a única que conseguiu chegar perto das 3 grandes naquele ano. Um desses jogadores era o Bruno Maciel, um dos mais famosos do servidor, que impressionava a todos com seu número absurdo de saques e moedas coletadas (havia ranking semanal e ele tinha sempre a primeira posição). Ele foi um dos primeiros vindos dos “estratos de cima” a perturbar a nossa tranquila vida regional na Muche, que éramos uma pequena aliança emergente no terceiro estrato do “povão”, junto com dezenas de outras.

Por sorte ou azar, ele estava muito próximo de nós no mapa. Acho que a menos de 20 de distância de mim (oeste). E certa noite aproveitou isso e incendiou meu castelo. Ele era mais forte do que qualquer um de nós. Mas conversamos internamente e decidimos que não poderíamos abrir margem para que isso se repetisse, e decidimos atacá-lo, confiantes de que os líderes da PODER entenderiam que seria apenas uma vingança justa e não iriam declarar guerra.

Sozinho eu não teria chance. Então o Joaquim (meu eterno braço direito) me ajudou e ambos atacamos os postos avançados do Bruno de madrugada, incendiando tudo. Mandei mensagem dizendo que se ele atacasse de novo, poderia estar em qualquer aliança do servidor, que nós iríamos revidar. Mandei mensagem ao Jojua também explicando o ataque, para evitar problemas. No dia seguinte o Bruno respondeu rindo, dizendo que ia “dar um tempo” sem nos atacar. Não é que ele nunca mais nos atacou? Deu certo, o leão tinha sido domado (por moscas). O Jojua aproveitou a oportunidade e começou a trocar várias mensagens comigo, ele estava ficando cada vez mais interessado na nossa aliança e queria recrutar os melhores jogadores para a Poder.

Algum tempo depois o Bruno Maciel saiu da Poder. Não sei os detalhes, mas acho que para manter o saque alto, ele arrumava confusão com muita gente, e o Jojua talvez tivesse se cansado disso. Descrente que ele aceitaria, afinal todas as grandes do jogo iriam querer recrutá-lo, eu quis arriscar e convidei ele para a Mucheftlan. Para a nossa surpresa, ele aceitou. Rapidamente se enturmou com a galera no chat e começou a zoar e ser zoado por todos também (era o ritual de passagem: ninguém entrava na Muche guardando sua dignidade). A gente nem acreditava que alguém famoso e forte como ele tinha virado "gente como a gente", um membro como qualquer outro. Ele nunca teve (assim como ninguém nunca teve, podia ser o melhor do servidor) tratamento especial na Muche. Era tudo de igual pra igual. Nível alto e nível baixo, líder e membro. Ele só foi promovido depois que todos os outros também foram. E entrou para nunca mais sair: ficou na equipe até parar de jogar.

Foi essa a primeira vez que tivemos alguma visibilidade no servidor: agora o primeiro dos rankings de saque e de moedas era da Mucheftlan.

Problemas maiores viriam.

Estávamos acumulando cada vez mais honra, e subindo cada vez mais no ranking das alianças, chegando perto das 20 melhores. Mas isso era coisa demais para uma aliança de apenas 13~14 membros, quando muitas já tinham cerca de 30. Aos poucos começaram a chegar ataques individuais até de jogadores das 3 grandes em busca de honra fácil. O nosso jogador mais visado era o Jotay, que guardava a honra mais alta.

Acontece que a Muche era uma aliança regional, para o mal e para o bem.

Isso significava que era pequena, mas que todos os jogadores estavam muito próximos entre si. O mais distante acho que estava a 22 de mim. E com essa proximidade, quase sempre dava tempo de ver o ataque chegando em alguém, e todos conseguíamos mandar tropas para defesa. Consequência: madrugada após madrugada, grandes jogadores das 3 maiores alianças amanheciam com a inesperada notícia de “Derrota” no seu correio. E todos passamos a acumular cada vez mais honra ainda pelas defesas, principalmente o Jotay. A gente levava a questão da proximidade tão a sério, que ninguém poderia ser recrutado a mais de 35 de distância do núcleo do grupo (eu, Joaquim, revolt e Jotay). Essa era a estratégia de sobrevivência. Afinal, cada vaga a mais na aliança custava muitos rubis. Então a gente precisava de gente que realmente fosse contribuir para nossa “muralha” regional funcionar. Vale lembrar que naquela época não podia mover castelo de lugar: onde sua conta nasceu, você ficava para a eternidade.

Também chamava a atenção que todos tínhamos quase o mesmo nível: os mais evoluídos deviam ser o Jotay e o Bruno no nível 26 (os melhores do jogo já estavam no 31), e o menos evoluído devia ser nível 22. Eu estava sempre no meio, não era dos mais fortes nem dos mais fracos. Até porque eu passava muito mais tempo cuidando da aliança do que da minha própria conta (eu não comprava rubis, e os poucos que o jogo me deu foram todos para o cofre da Muche para conseguirmos expansão).

Jojua chegou a me dizer, cheio de olhos grandes sobre a nossa aliança (porque tentava recrutar quase todos, sem sucesso) que a Mucheftlan era uma aliança pequena, compacta e excelente. Com essas três palavras ele resumiu tudo: nenhuma aliança do nosso tamanho tinha o nosso desempenho. E a nossa força vinha do conjunto. Não éramos uma equipe de estrelas individuais, de jogadores excepcionais. A estrela que brilhava era a equipe unida, o quebra-cabeça com todas as peças. E juntos éramos uma máquina de defesa.

E todo dia a história se repetia.

A nossa honra aumentava, e aumentavam os ataques feitos por noite contra nós. Principalmente de jogadores das quatro alianças Força Brasil. Até que um dia percebemos que não iríamos aguentar mais naquele ritmo. Estávamos no limite da defesa. Se chegasse um ataque a mais, a “muralha” no castelo do Jotay ia ceder e ele seria completamente incendiado. Alguns começaram a se desesperar dizendo que seria o fim da Mucheftlan. Mesmo meus colegas mais antigos estavam pessimistas achando que tínhamos chegado no nosso limite, e que teríamos de desistir de crescer ou virar saco de pancada dos grandes.

Nesse momento aconteceu uma coisa que me marcaria para sempre na minha trajetória em jogos online.

Escrevi uma carta ao líder geral e fundador da Força Brasil, o jogador Letti.

No dia seguinte, acordo surpreso com a mensagem de um amigo que jogava na Força Brasil 4. Ele me dizia que todos os quase cem jogadores, em todas as quatro alianças da Força Brasil, haviam recebido a ordem de cessar todo e qualquer ataque contra a aliança Mucheftlan.

Na longa carta, eu expliquei toda a situação ao Letti e reclamei da covardia que era uma família de 100 jogadores viver atacando uma aliança de 14. Ainda falei que eles estavam se ferrando tanto ou mais do que nós, porque perdiam 90% dos ataques. Numa curta carta de resposta, ele me pediu desculpas, disse que eu “estava coberto de razão”, garantiu que os ataques iriam parar e fizemos um tratado de não-agressão.

Os ex-jogadores da Força Brasil que ainda jogam hoje podem ter orgulho do primeiro líder que tiveram, esse era um cara de honra.

Esse também foi o primeiro episódio de uma relação amistosa entre a Muche e a Força Brasil que durou muito, e que teve altos e baixos.

Depois da resposta, eu disse para todo mundo no chat o que tinha acontecido. Eu imaginava alguma comemoração, mas não aquilo. O chat começou a bombar com várias mensagens e elogios. Ninguém estava acreditando que tínhamos resolvido a questão com diplomacia. Todos, dos mais novos aos mais velhos, começaram a falar que eu era um ótimo líder, que estavam orgulhosos de mim. Eu não costumava receber elogios, aliás ninguém recebia, porque vivíamos apenas zoando uns aos outros no chat, era só palhaçada. Mas dessa vez a galera estava exaltada, muitos me mandaram até mensagem privada parabenizando. Até o Joaquim, que era um pouco mais quieto, mas o mais experiente de todos, me fez um baita elogio. Fiquei até sem graça.

Aquele foi um dia especial.

Alguns anos antes de jogar Empire eu jogava outro jogo. Também fui líder de um clã. Montei um grupo em que aos poucos as pessoas se tornaram muito amigas. Mas eu tinha obsessão de crescer e de fazer o clã se tornar um dos melhores, custe o que custasse. Comecei a chamar jogadores mais fortes para o clã, mas que não estavam interessados nos jogadores mais fracos do grupo, aqueles meus velhos amigos, e começaram a desdenhar deles. Eu, obcecado com a ideia de crescer, tomei a pior decisão possível em jogos online: naquela briga fiquei do lado dos membros mais fortes. Meus amigos mais antigos, reunidos, me perguntaram se eu ainda os queria no clã, e eu hesitei na resposta, pois achava que com eles não conseguiríamos crescer. No dia seguinte, eles saíram e criaram o próprio clã. A descrição dele era clara: “para quem se importa mais com amizade do que com poder”. Mas depois que eles saíram, a alma do meu clã acabou, e pouco depois até eu parei de jogar.

Aquilo me marcou. Me arrependo muito. Cheguei a achar que nunca mais seria um bom líder. Mas foi uma lição importante.

Muito tempo depois, naquele dia que recebi as mensagens de reconhecimento do pessoal na Muche, exaltando qualidades da minha liderança, foi como uma redenção. Admito que fiquei emocionado. E acho que isso mostra como todos merecem uma segunda chance. Amizade é mais importante que poder! Lógico que podemos querer crescer no jogo e na vida. Nós queríamos na Mucheftlan. Mas esse crescimento deve ser junto com nossos amigos, nunca os abandonando ou traindo. Como um sábio personagem já disse, “aqueles que abandonam seus amigos são piores que lixo”! É por isso que na Muche sempre respeitei todos os membros, todos eram líderes e antes de tudo, amigos. Éramos a única aliança onde ninguém era membro, eu convidava todos para serem sargentos logo após os primeiros dias. E nunca fui traído. E nunca aceitamos nenhuma fusão. Que adianta sermos a maior aliança se não somos o nosso grupo de amigos? Melhor ser uma pequena aliança emergente. Se um dia virássemos um grupo poderoso, teria que ser por meio da amizade, jamais passando por cima dela.

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Já parei de jogar em alto rendimento o Goodgame há muito tempo, hoje só entro de vez em quando para dar um salve nos conhecidos que ainda jogam. Guardo algumas boas memórias e resolvi compartilhar. Vai que alguém curte ouvir coisas dos tempos das cavernas...

Saudações,
Felipe I de Estancane


Jogador do Servidor PT1

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